
No método tradicional de aprendizagem em braille, o aluno utiliza caixas de madeira, papel ou de ovos para simular as seis “bolinhas” que, em diferentes combinações, formam as letras do alfabeto, números, acentos e sinais. No projeto feito pelos alunos Roberto Lustosa de Andrade, 37 anos, e Vinicius Bigoni Perozzi, 30, com o professor Ronaldo Carlos Rohloff, 28, pinos em alto relevo são comandados eletronicamente por meio de botões, que também emitem som e luzes (para alunos que têm baixa visão). “Ele pode ser utilizado pelo professor para ensinar, pelo aluno para treinar ou como brinquedo com modos de jogos instalados”, explica Vinicius.
O projeto está em desenvolvimento pela equipe desde 2012, quando eles começaram a ouvir e testar o equipamento com integrantes da ACIC (Associação Catarinense para a Integração do Cego). “Um dos grandes problemas que eles têm é o interesse das crianças em aprender, então precisam de uma ferramente que os alunos consigam interagir. Com este equipamento, o professor pode só estar direcionando o ensino e colocando exercícios para fazer ao mesmo tempo”, comenta Roberto.
Feita de plástico ABS, a estrutura do Fala Braille foi confeccionada em uma impressora 3D. A parte eletrônica possui um microcontrolador com alguns drivers de potência para fazer funcionar o motor, que faz a movimentação dos pinos. Há ainda alto-falantes, luzes de LED e os botões de acionamento. O tamanho do aparelho é indicado para o início da alfabetização. Conforme o aluno vai avançando, ele tateia pinos cada vez menores até chegar a bolinhas que possam ser lidas na ponta do dedo. Desta forma, o Fala Braille também pode ter as dimensões reduzidas para atender mais cegos.
Equipe vai aprimorar o equipamento
Com o projeto Fala Braille, a equipe obteve o primeiro lugar na categoria Tecnologia Inclusiva na etapa estadual da Mostra Inova Senai 2015. Neste ano, eles ficaram entre os 30 melhores da mostra nacional. A expectativa agora é conseguir viabilizar a produção comercial do protótipo. Para isso, eles pensam em dois caminhos: oferecer o projeto para alguém produzir, como a ACIC, ou conseguir um investidor para a produção.
Uma máquina de escrever em braille sai por cerca de R$ 4 mil e um notebook que possui ferramentas para o aprendizado pode custar U$ 6 mil. O custo para a produção de cada unidade do Fala Braille deve sair, inicialmente, por R$ 900. De acordo com Ronaldo Carlos Rohloff, que é coordenador do Senai Florianópolis e professor do curso de automação, a equipe também deve aprimorar a ferramenta com a implantação de fones de ouvido, bateria, comando de voz e jogos.
Forma lúdica de conhecimento
A professora da ACIC Inês Berlanda Seidler testou o Fala Braille com os alunos, que aprovaram o equipamento. Inês é professora de elaboração conceitual e letramento, disciplina que precede a alfabetização em braille, para crianças de três a dez anos. Em uma primeira fase, os alunos aprendem a conceituar objetos e a nomeá-los. Depois é trabalhado o tato e a identificação do que é tocado para, posteriormente, trabalhar o braille efetivamente. Nas aulas, a professora utiliza equipamentos mecânicos, como a máquina de escrever em braille e as celas de braille ampliadas, que são caixas com os seis espaços que recebem manualmente as bolinhas para preenchê-los e formar os símbolos.
De acordo com Inês, o Fala Braille proporciona uma forma lúdica e interativa aos alunos na hora do aprendizado. “Os que enxergam e estão na fase de se apropriar do letramento têm à disposição jogos online, letras ampliadas em EVA e vários outros recursos. Então para a criança cega, um equipamento como esse é um diferencial muito importante. É uma forma lúdica de acessar o conhecimento”, ressalta ela.
O que é o Sistema Braille?
Processo de leitura e escrita em relevo com base em 64 símbolos resultantes da combinação de seis pontos, dispostos em duas colunas de três pontos. O Sistema é utilizado universalmente por pessoas cegas e foi inventado na França por Louis Braille, um jovem cego. O ano de 1825 é reconhecido como o marco dessa conquista para a educação e a integração dos deficientes visuais na sociedade.
Como funciona o Fala Braille?
– Dentro da “cela braille” (espaço retangular onde se produz o braille) cada botão vermelho acionado faz com que um pino branco se eleve;
– As diferentes combinações de pinos brancos em relevo configuram uma letra, número, acento ou símbolo do alfabeto. (Na foto, está a letra ‘D’ – CONFIRMAR ISSO).
– Ao apertar o botão vermelho do meio, o aluno irá ouvir qual símbolo foi formado.
Fonte: Notícias do Dia por Felipe Alves.









































