HOTEL

Desconhecendo as normas brasileiras, muitos hotéis acreditam que apenas inserindo barras de apoio nos banheiros o quarto estará acessível

A partir de janeiro de 2018, todos os meios de hospedagem deverão oferecer 10% de seus apartamentos adaptados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (Foto: Ricardo Bastos )

No mês de setembro, o Brasil receberá os Jogos Paralímpicos, evento esportivo que trará à nação um grande número de turistas estrangeiros, dentre eles, alguns com deficiência.

Muitos hotéis brasileiros esperam hospedar um grande número de clientes, porém, muitos desses hóspedes, não sabem o que esperar quando chegarem no hotel, principalmente os que possuem deficiência, pois nem sempre estes estabelecimentos estão aptos para recebê-los.

Sancionada pela presidente Dilma Rousseff em julho de 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) nº 13.146, determina que todos os meios de hospedagem, devem oferecer ao menos 10% de seus apartamentos, adaptados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A lei entrou em vigor em janeiro deste ano e os hotéis deverão adaptar seus quartos até o dia 11 de janeiro de 2018, e os que não o fizerem sofrerão o risco de serem denunciados para o Ministério Público.

Muitos empreendimentos que estão em fase de construção já estão sendo viabilizados com os apartamentos adaptados de acordo com a legislação, porém, mais de 90% da rede hoteleira, que já tem seus hotéis em pleno funcionamento, parecem não se preocupar com esse assunto, e colocam ‘obstáculos’ para os indivíduos com deficiência ou mobilidade reduzida durante a busca por hospedagem.

Reflexão da situação

QUARTO-CADEIRANTE

Uma atividade que poderia ser interessante para os hoteleiros seria eles refletirem se seus empreendimentos realmente são acessíveis, e não somente seus apartamentos. Será que os hoteleiros já buscaram experimentar a vivência na prática e passar o dia em uma cadeira de rodas circulando pelo hotel como um hóspede sem nenhuma limitação, para checar se realmente o empreendimento é adequado para este público? Será que simples ações como fazer um check-in, ir ao restaurante, pegar um elevador até o quarto ou mesmo tomar uma ducha, poderia ser executada com ampla autonomia pelo gestor com alguma limitação física?

Essas situações merecem ser refletidas, pois de acordo com o Censo de 2010 do IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, existem 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil. É um número muito considerável e em sua grande maioria formada pela “guerra do trânsito ou violência urbana das grandes cidades” que incapacita milhares todos os anos. Mesmo sendo um número expressivo, muitos hoteleiros não destinam seus negócios para este nicho de mercado e acabam perdendo clientes, pois muitos indivíduos que possuem alguma deficiência e/ou mobilidade reduzida não deixam de viajar e conhecer novos lugares.