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Gente, vocês sabem quando se deve começar o trabalho de formação dos futuros motoristas? A resposta para essa pergunta é que deve ser iniciado muito cedo e se manter em constante inovação ao longo da vida da criança e do adolescente. Ou seja, elas precisam ser educadas para respeitarem as regras do trânsito na íntegra.

E vocês sabem o que acarreta a desobediência às leis do trânsito? Com certeza vocês responderão multas e perda de pontos na carteira, né?!É gente, descumprir as regras do trânsito significa uma multa, mas  para a atleta paralímpica Marinalva o preço que ela pagou por sair pilotando uma moto com quatorze anos de idade foi outro. Curiosos para saberem mais sobre essa questão? Vejam a entrevista abaixo com a Marinalva.

Quem  é Marinalva de Almeida?

Uma guerreira!

Fale-nos  sobre sua deficiência e como seus pais, familiares  e amigos entenderam essa condição humana?

Com apenas quatorze anos sofri um acidente de moto. A amputação da minha perna esquerda era inevitável, ou fazia a amputação ou eu iria morrer, simples assim! Minha mãe não assinou a autorização. Quem  assinou foi minha irmã mais velha, minha mãe não entendia como eu poderia levar uma vida sem ter uma perna, não conhecíamos ninguém com deficiência. Mas, hoje o sentimento de orgulho e admiração que recebo dela é o melhor sentimento que tenho em minha vida.

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Como foi sua infância e adolescência?

Morávamos no Paraná, em Santa Isabel do Ivaí. Trabalhávamos na lavoura. Colheita de café, algodão, cana de açúcar entre outras. Vim de uma família de seis irmãos, eu sou a mais nova.  Não tínhamos grana, mas para criança tudo é possível e transformávamos  tudo em uma  grande festa. Já na minha adolescência eu estava morando no Mato Grosso do Sul, foi onde sofri o acidente de moto. Minha adolescência foi comum, namorar, ajudar a mãe em casa , estudar. Muita coisa mudou depois do acidente.

Quando e como o esporte entrou na sua vida?

Na minha adolescência eu já brincava na escola, mas nada que eu pensasse como algo profissional. Quando aconteceu o acidente, fui apresentada ao esporte novamente, mas desta vez como ferramenta de reabilitação, para que eu pudesse me redescobrir e foi maravilhoso, pois o esporte me impulsionou, me fez desafiar o impossível, mas só vim realmente me envolver profissionalmente no esporte há uns dez anos, quando quis participar das paralimpíadas.

O que o esporte representa para você?

O esporte é em minha vida  uma das ferramentas  mais fortes de superação, é claro que existem outras, como a arte, a dança, mas pra mim o esporte traz muito do que preciso para ser uma vencedora.

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Quais as maiores dificuldades enfrentadas por você no início da carreira?

Foram muitas dificuldades. Eu trabalhava, estudava, palestrava e ainda cuidava da minha casa. Com  três filhotes,  foram muitas.Eles sujam roupas, precisam ter alimentos, precisam de cuidados médicos entre todas as tarefas que qualquer mãe enfrenta todos os dias. O que foi crucial em minha vida é que meus filhos aprenderam logo cedo a se virar sozinhos e ainda a cooperar com a mãe que estava na luta por um futuro melhor para eles e para mim também. Minha maior dificuldade foi ficar longe de meus filhos. Falta de grana para prover o que necessitávamos e ainda desenvolver alguns trabalhos externos para conseguir  reconhecimento como atleta, modelo e palestrante.

Qual a sensação de participar de uma paralimpíada?

É o sonho de  qualquer atleta. Para mim foi a coroação, ainda mais sendo em meu país, com a nossa torcida que superou as expectativas. Quando eu estava competindo, no último dia de competição eu estava lá no mar , longe… e ouvi o grito da galera que estava torcendo por mim! Eu escutei  meu nome! Pensa! Foi um momento Mágico, inesquecível!!!  

Em sua opinião quais os benefícios que as paralimpíadas trouxe e ainda trarão para o nosso país?

O Brasil foi exaltado nesse momento. Um país de pessoas criativas que conseguem transformar as adversidades em momentos de glória. Os benefícios físicos são visíveis,  a preocupação com a acessibilidade que é uma, entre tantas as dificuldades que nós, pessoas com deficiência enfrentamos todos os dias, sei que não sanou o problema, mas fez com que autoridades observassem a importância do ir e vir para todos.

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Como você se tornou modelo?

Dariene Rodrigues  ( minha amiga) desenvolveu algumas roupas adaptadas e me convidou para posar em algumas fotos e eu aceitei, depois disso participei do concurso de moda inclusiva desenvolvido pela Secretaria dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo, com a Daniela Auler e assim tudo começou, depois fui convidada pela marca de calçados Nanda Manu, através da Kica de Castro e logo em seguida pelo estilista, Fernando Cozendey.Foi muito gratificante tudo isso!

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Como modelo e atleta, o que você achou da campanha publicitária com Cleo Pires e Paulinho Vilhena para incentivar as pessoas a assistirem os Jogos Paralímpicos?

A campanha teve uma grande repercussão, mas foi de uma forma negativa, houve vários comentários ruins. Pelo que sei fui à única paratleta a se manifestar contra, mas sei que muitos dos atletas paralímpicos não gostaram. O que eu penso disso? O momento seria para os verdadeiros protagonistas serem exaltados, ainda que fosse usada a imagem de qualquer ator ou atriz global, eles deveriam ser apenas coadjuvantes, (o que realmente são nesse caso! Sabemos que a imagem de atores da globo tem muita força e que seria muito positivo a presença dos mesmos.)  Para se ser solidário a alguma causa, basta empatia , além do mais temos  paratletas que não deixam a desejar em nada.

Quais os seus planos para o futuro?

Tenho muito a realizar, então, são muitos os meus planos. Em 2017 quero retomar meus estudos, ainda não tenho graduação. Quero também aprender a tocar violão. Aprender a falar inglês. Escrever dois livros que já tenho em mente, mas, ainda nem comecei.

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Que mensagem você deixa para os leitores do Blog?

Qual o movimento que você tem feito em direção aos seus sonhos? Pense nisso! Sonhar é imprescindível, mas, movimentar-se em direção a eles é o que trará os resultados. Se não der da primeira, segunda ou terceira vez, tente novamente. Nunca sabemos o quão próximos estamos de alcançar o que almejamos. Tente outra vez! (Raul Seixas, já dizia isso!)

Marinalva,muito obrigada por compartilhar sua história e por nos alimentar com a sua mensagem. E vocês concordam que esse relato de experiência poderá contribuir de forma positiva tanto para os atuais quanto para os futuros motoristas? Então, curtam e compartilhem essa história com seus filhos, amigos, vizinhos etc.

E aproveitem e se inscrevam lá nas minhas redes sociais para verem outras fotos da Marinalva e não perderem outras histórias inspiradoras.

Um suuuper beijo no coração!

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